Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Beam me up, Scotty! | Postal #00006

AS FAVAS DA GLOBALIZAÇÃO?
Completamente atrasado, já depois do fecho da redacção e com as rotativas a trabalhar. Desculpem, é no que dá ser mal pago.
Fosse eu jornalista ou comentador e diria ao Senhor Director: "Não está bem? faça você ou arranje quem o faça mais barato e mais depressa!". E, ao dizê-lo, estaria a incorrer num perigoso erro.
Chega-me via Courrier Internacional um artigo de Paolo Stefanini para o "Diário" de Milão com o título REDACÇÕES AMEAÇADAS DE DESLOCALIZAÇÃO: Para reduzir os custos, há jornais que produzem os seus conteúdos em países onde a mão-de-obra é barata. Diários americanos e britânicos já têm redactores na Índia ou em Singapura.
Pois é.
Passo de imediato para as letras em bold que aparecem a meio da página e continuo a citar:
Quando concebeu um projecto de jornal italiano em inglês, o "Diário" pediu colaboração à empresa indiana Hi-Tech Export [http://hitechexport.com], que já trabalha para vários jornais europeus, "sobretudo ingleses, franceses e alemães". Em poucos minutos, esta avaliou o projecto e fez uma proposta, oferecendo 15 dias de ensaio gratuito. Para redigir os artigos a partir de comunicados de agências, a firma pede 35 Euros por 500 palavras. Os redactores podem trabalhar a qualquer hora para entregarem os textos a tempo. São "diplomados em domínios científicos, têm 21 a 29 anos e 12 a 24 meses de experiência jornalística. Falam e escrevem em inglês, hindimayalam e o idioma local", indicam os responsáveis da Hi-Tech Export.
Sabemos que a imprensa escrita está a sofrer uma mutação drástica, compreendemos que os novos suportes digitais multimédia e a internet vão, passo a passo, ditando uma agonia. Sabemos também que o futuro da imprensa escrita talvez passe pela sua oferta completamente grátis aos leitores sendo apenas suportada pela publicidade, à semelhança do que se passa já em muitas publicações digitais.
A partir de agora, só não sabemos se estamos a ler algo de alguém que estava lá ou se se trata apenas de mais um Júlio Verne em pleno acto criativo.
Leiam o resto do artigo porque vale bem a pena decobrir os métodos de trabalho destas "equipas de redactores".
Este encontra-se disponível no Courrier Internacional, edição nº 98 de 16 de Fevereiro de 2007 e será publicado no bLógica na próxima semana.
Até lá, bom fim de semana a todos, este foi mesmo de fugida...

3 comentários:

sharkinho disse...

Preocupante soa-me a pouco.
Isto de que nos dás conta é o fim anunciado da Imprensa escrita.
O resto são lérias.

formiga bargante disse...

Acabo de publicar, no meu blogue, uma chamada de atenção para este seu texto.

Gostaria de saber se acha bem, e caso pretenda fazer qualquer tipo de observação, agradecia.

Cumprimentos.

Fernando Gonçalves

Carlos José Teixeira disse...

Caro Fernando, tem e-mail...